- Salvation -
Salvação
Salvação
Freddy riu sem querer, mesmo antes de ver o homem pondo a mão para trás, buscando uma faca pontuda e enferrujada. Arregalei os olhos e Freddy me puxou para o lado norte, correndo por entre os arbustos. Ashley fez o mesmo, enquanto gritava aterrorizada.
O medo é uma coisa estranha. Pode fazer milagres, mas também debilitar, paralisar o corpo e a mente, e é quase impossível correr quando o medo invade seu corpo. Confesso que aquele "estranho" quase nos alcançou, nossa sorte foi um pequeno buraco de lama que o fez escorregar. Não paramos de correr até encontrármos uma velha cabana abandonada, e entramos nela, sem pensar no que poderia haver lá dentro.
- Despistamos ele. - disse Freddy eufórico, encostado na porta.
- Precisamos encontrar o Liam, - Ashley chorava. - E se esse cara pegar ele?
Me aproximei dela, abraçando-a.
- Vamos achá-lo. - sussurei.
Já estava quase escurecendo. Estávamos a horas dentro daquela cabana, com receio de sair e sermos mortos por aquele maluco. Pelo menos tínhamos comida e água suficiente para uns cinco dias.
Freddy levantou-se de onde estava e observou um ármario trancado a um cadeado.
- O que será que tem aqui? - balançou o mesmo, mais era impossível abrir.
- Não quero nem saber. - Ashley cruzou os braços. - Se tem um cadeado, não tem boa coisa ai dentro.
Freddy pegou um bastão de ferro que havia no chão, e forçou a fechadura do ármario, que voou longe. Olhou para nós, antes de abrir rapidamente as portas, as duas ao mesmo tempo.
Lanternas, cordas, alçapões, facas, e mais bastões de ferro, era o que tinha dentro do ármario.
- Pelo menos nós temos armas agora. É um modo de defesa. - afirmei, aproximando-me do ármario.
- As lanternas funcionam perfeitamente. - Freddy disse testando algumas. - Precisaremos de muitas, a noite está chegando.
- Nem me lembre disso. - Ashley passou as mãos nos braços. - Me dá arrepios.
[...]
Eram exatamente 20:45 quando olhei o relógio no pulso de Freddy. Estávamos sentados nas madeiras velhas daquela cabana, um silêncio consumia o lugar. Encostei a cabeça no ombro dele e suspirei cansada. Minha vontade era chorar, pois eu nunca mais seria a mesma sem meu irmão. E saber que aquele homem pode ter matado Jared, meu estômago embrulhava.
- Preciso fazer xixi. - Ashley quebrou o silêncio.
- Sério? - Freddy franziu o cenho. - Está um breu lá fora.
- Mas eu preciso mesmo. - ela levantou-se, seguida de Freddy.
- Vamos, - ele disse. - Levarei a lanterna mais forte. Esperarei lá fora com você.
- Eu também vou. - eu disse
- Não Kate, - Freddy me olhou de um jeito medroso. - Fique aqui dentro.
Ele abriu a porta, ligou a lanterna e olhou para a mata lá fora.
- Tenham cuidado. - sentei novamente no chão gélido.
[...]
Dois, três, cinco minutos se passaram. Eles não voltavam. O único (e pior) jeito era ver onde eles estavam. Abri a porta, que rangiu num som estridente. Espremi os olhos na intenção de enxergar alguma coisa, pois a escuridão tomava o ambiente por inteiro.
- Freddy? - falei em um tom de voz razoavél.
Meu coração acelerou e minha respiração ficara ofegante de uma hora para outra. Não ouvir a resposta de Freddy me deu um frio na espinha.
Dei um passo para fora da cabana. Nenhum barulho, nenhum ponto de luz, absolutamente nada. Era uma sensação desesperadora.
E de repente, ouvi alguém correr por entre as árvores, e eu simplesmente não sabia o que fazer. Podia ser Freddy ou Ashley, então fiquei parada, com os olhos arregalados para a direção de onde vinha aqueles passos ligeiros.
A sombra que corria, caiu de joelhos sobre as folhas secas. Reconheci pelos fios loiros. Era Liam.
Corri até ele, segurando seu rosto, que estava ensanguentado.
- O que aconteceu com você? Onde esteve?
- Ele... - ele dizia pausadamente, cansado pela corrida. - Não conseguiu... me matar.
Encostei sua cabeça em meu ombro, mas ele estava impaciente.
- Onde está a... Ashley? - perguntou, desesperado.
- Eu não sei.
Era como um daqueles filmes de terror. As pessoas sumiam como fumaça. Mais agora estaria piorando tudo, meu Freddy estava sumido.
- Maldita hora que resolvemos vir pra cá. - Liam dizia, andando de um lado para o outro.
Tínhamos voltado para a cabana, para nossa segurança.
- Vamos conseguir sair, - afirmei. - Você vai ver.
- Não percebe Kate? - seus olhos estavam marejados. - É impossível sair daqui vivo.
Ele podia ter razão. Mas por outro lado, eu discordava. Esse maluco que está atrás da gente é um ser humano, - não muito agradavél - mais humano. Tem que ter algo que o faça parar.
- Preciso achar a Ashley. - caminhou até a porta.
- Não Liam! - o impedi. - Olha só o que aquele cara fez com você. Seu rosto está horrível.
- Por isso mesmo, não quero que ele faça isso com a minha Ashley também.
Seguiu-se um silêncio.
- Você não se arriscaria para salvar o Freddy?
Uma lágrima caiu de meu rosto, mas eu não disse nada. Não conseguiria dizer, ou então eu ia desabar em lágrimas, que não parariam nunca mais.
Mais barulhos alcançaram nossos ouvidos. Desta vez foi o som das asas dos pássaros batendo forte. Uma sinfonia amedrontadora. Liam não desistiu e abriu a porta.
Nos deparamos com uma sombra assustadora e temerosa. Não era possível distinguir quem era, mas com certeza era ele. Liam não hesitou, continuou firme, fitando-o com os olhos arregalados, cheios de fúria.
O vulto se aproximou, com passos rápidos. E em poucos segundos, já estava bem a nossa frente.
CONTINUA NO PRÓXIMO POST.

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