As minhas pálpebras pesadas e cansadas finalmente estabeleceram algum movimento. O lugar finalmente tornou-se visível, mas logo se esconderam novamente por trás das pálpebras, tentando proteger-se da pouca claridade ali presente. Poucos segundos depois, os meus olhos estavam abertos novamente, e já devidamente acostumados à luminosidade. Respirei fundo, tentando achar uma maneira concreta de saber o que havia acontecido e como havia parado ali. Onde eu estava?
Uma lâmpada comum produzia uma luz fraca e quase invisível acima de meu corpo, que estava estirado sobre uma enorme pedra lisa. Eu não conseguia me mover, senti as cordas apertadas em volta de meus pulsos e de minhas pernas.
Minha pele arrepiou-se e meus pelos ouriçaram-se, denunciando que o ambiente não tão confortável estava bastante frio. Olhei ao meu redor, e avistei Liam, desacordado, suspenso sobre cordas nos punhos.
- Liam? - sussurei e ele não moveu um músculo.
Senti-me tão frágil, tão fraca, tão machucada... Queria poder acreditar que tudo aquilo não passava de um maldito pesadelo. Finalmente cheguei a conclusão que alguém “lá de cima” não gosta de mim quando, de repente, a pouca luz que havia ali se apagou. Agora meus orbes já não conseguiam enxergar completamente nada. Meus olhos agiram por si e agora se encontravam úmidos.
- Olá princesa. - a voz grossa e assustadora, soou. E ao perceber que se tratava do assassino, uma única e solitária lágrima rolou pela minha face.
[...]
- Porque. está. fazendo. isso? - falei pausadamente, trincando os dentes.
Ele caminhou ao meu redor, com passos leves e lentos. Aproximou-se de Liam, e com a faca que tinha na mão, enfiou-a na barriga dele, fazendo o sangue espirrar.
- Não o mate! - gritei. - Por favor!
Puxou a faca calmamente e voltou para perto de mim. Fitei o teto, na intenção de não olhar para ele. Seus olhos horrendos, me causariam mais desespero.
- Por que defendes ele? - encostou a faca em meu rosto. - Achei que o Freddy era o seu namoradinho.
- Ele é meu amigo. - respondi sem dar importância.
Eu não lhe devia satisfações, mas na minha situação, não seria bom irritar um cara que estava com uma faca sobre meu rosto.
- Por que está fazendo isso? - sim, foi a pegunta mais idiota que já fiz.
Ele é maluco Kate! - pensei comigo mesma. Deve ser um homem solitário e louco, que resolveu, de uma hora para outra, sair matando todo mundo. Um serial killer talvez.
- Não gosto de perguntas.
Olhei para ele com uma certa dificuldade. Sua expressão era mais assustadora do que eu havia observado quando ele ainda se passava por "guia turístico".
- Deixe-nos sair daqui. - supliquei
- Sabe, estou pensando na forma mais divertida de matar aquele otário. - apontou para Liam - Não me satisfaço em matar garotos, não é tão prazeroso como matar as donzelas.
- Tem prazer em matar pessoas? - franzi a testa
- É um ENORME prazer para mim. Sinto-me bem.
- Porque não procura tratamento?
- Cala a boca! - gritou - Não quero arrancar cada orgão do seu corpo, mais você está me irritando com essas perguntas idiotas.
Engoli em seco.
- Agora, - respirou fundo - Vamos brincar um pouco.
- Saia daí. - ele disse, em tom de ordem. - Agora!
Levantei-me lentamente.
O assassino puxou-me pelo braço guiando-me até uma porta de madeira velha e horrenda. Abriu a mesma, pressionando um interruptor ao lado, fazendo uma pequena lâmpada incandescente acender.
Descemos uma escada. E um pavor me dominou, fazendo minhas pernas tremerem. Senti-me mais aliviada quando ele soltou meu braço, facilitando minha respiração, que se acelerava mais e mais.
Observei para onde ele estava indo e me deparei com a cena mais debilitante, que tornaria novamente a acelerar meu coração.
...
Não. Mil vezes não. Levei as mãos a boca, deixando as lágrimas correrem. Freddy estava preso a cordas, exatamente como Liam, mais em uma situação pior. Gotas de sangue pingavam sobre o chão, formando uma poça do liquido escuro.
- Não vai falar com seu menino? - o assassino disse.
Corri até ele, segurando seu rosto.
- Freddy? - falei, quase sussurando - Fala comigo...
- Ele não vai falar com você. - assustei-me quando percebi que ele estava atrás de mim. - Está morto!
Virei-me bruscamente, empurrando-o com todas as minhas forças. Não deu muito resultado, mais eu precisa agir rápido.
- Você também não vai sair daqui viva, garota.
Quando ele vinha em minha direção, com os olhos vidrados, corri até uma mesa cheia de objetos. A primeira (e única) coisa que consegui pegar foi um bastão de ferro médio, mas pontudo o suficiente para cortar.
E quando ele segurou um dos meus braços, enfiei rapidamente aquele bastão em seu pescoço. O sangue espirrou no meu rosto, e ele começou a perder as forças. Sinal que eu teria acertado o lugar certo, a veia jugular, que transportam sangue venoso do crânio. Ele também é um dos principais vasos que se cortam ao degolar alguém. Aprendi isso graças as aulas de biomedicina, uma das disciplinas do colégio.
Ele cambaleou para trás, tentando manter-se em pé, mas não conseguira. Corri até Freddy, libertando-o das cordas. O peso de seu corpo caiu sobre mim, mas consegui a proeza de levá-lo até a escada. Minhas mãos sujas de sangue, tremiam sem parar. Arrastei-o para cima com dificuldade.
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